quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Para todos vosotros


Quién se hubiera imaginado que cuando llegué a mi liceo ese día vendrían ustedes. Confieso que no me gusta ir a clases, y por eso no me había enterado del grupo de brasileños que nos visitarían. Primero dijeron que era un debate, luego que yo no podía ir, luego que podía ir desde un principio y había sido un error, cuando con mis amigos vimos los pasteles sobre las mesas y pensamos “¡comida!” Nada mejor. Y entre que los esperaba se gestaba una pequeña revolución en mi escuela, y casi todos los estudiantes grandes se reunieron en asamblea para discutir, incluso cuando la dirección del colegio no lo permitió. Ojalá hubieran podido estar con nosotros ahí también, quebrando las normas por un futuro mejor.


Yo estaba nervioso, quería discutir sobre los problemas de la educación en esa asamblea, pero también quería conocerlos. Cuando llegaron los vi sentados en el patio pensé que eran demasiados y me dio vergüenza. Entré rápido y me senté donde pudiese ubicar un pastel de naranja. Nos cambiaron a todos, perdí mi pastel y entraron ustedes. Me volvieron a cambiar y me encontré con Hugo y Carolina. De inmediato me sorprendí de ustedes, tan alegres e interesantes. De alguna forma me desinhibí y la conversación se fue dando, igual que en el parque. Y yo pensaba ¿será bueno sentarlos en la tierra húmeda en un día tan frío? Se cuenta en las clases de historia en Chile que los brasileños se congelan y se mueren con el frío, y que por eso no hay negros acá. No pasó, por supuesto, y sin darme cuenta estaba invitado a comer con ustedes. Les propuse empanadas de pino, y creo que les gustaron bastante. Les publicaré la receta un día para que las hagan allá en Sao Paulo.

Con todo igual me preocupaba lo que les pudiera suceder. Santiago es una ciudad bonita, pero tiene sus cosas malas, como los ebrios y los asaltantes. Nuevamente sin querer los estaba guiando al cerro San Cristóbal y salvándolos del tedio que significaba ver los trajes antiguos en el museo histórico. Les debo un tour para que conozcan la historia de mi ciudad, y un poquito la de mi país. En pocas palabras es ricos en el poder y los pobres luchando, como en tantas partes de américa latina. Pero estoy divagando. Los vi asustarse con los delgados rieles del funicular e impresionarse con la nubosa cordillera, imponente monumento eterno que rodea Santiago, vi a Leo mejorando su técnica de escaparse de todos lados, a muchos ver con ojos brillantes los sombreros andinos y los recuerdos para turistas, le mostré a Roberta el lapislázuli. A los pies de la virgen, con Godau, Fernanda y Hugo supe que había hecho amigos.

Así como los subí 300 metros había que bajar y volver a la ciudad, fuimos por la calle de los murales ilegales y cruzamos hacia el barrio bellas artes. Sin darme cuenta (creo que debería poner más atención) estaba invitado a cenar y cerré el día queriendo ser su guía por Valparaíso, cansado pero satisfecho.

Durante las siguientes dos noches que pasé con ustedes me encanté de sus gustos, sus costumbres y su forma de ver las cosas. Puede que en principio no se note, o quizás sí, pero los Chilenos somos personas tristes, hurañas. Y ustedes eran relajados, alegres, interesantes, conversadores, confiados, amistosos. No puedo estar más felíz de haber bajado al casino el viernes 10, ni de haberme quedado con ustedes hasta las 12 de la noche el sábado y el domingo, y de compartirles lo que siento, y lo que he escrito, de haber intentado bailar la cueca, de esconderme detrás de las cortinas. Son personas maravillosas, estudiantes y profesores, todos ustedes me han encantado. Y quién sabe cuándo la vida me llevará a Sao Paulo, o los traerá a Santiago, o nos hará chocar en pakistán, nos reiremos juntos de nuevo.

Gracias a todos, Fernanda H, Arthur, Hugo, Godau, Manu, Vany, Fernanda M, Mari, Leo, Roberta, Fabio, Julia, Luiz, Luis, Adriano, Ana, Bia, Marina y tantos otros que no puedo nombrar. 

Nos volveremos a encontrar!


 
Les regalo una foto de la cordillera en invierno


Camilo García - estudiante del Liceo Manuel de Salas 
y participante del proyecto de Cultura latinoamericana del CSD!!! 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Neve, Andes e autopercepção.









E então, após longos dias de espera, os Andes. Tortuosas 40 curvas de uma estrada muito enjoativa, e chegamos a quase um de seus topos.
            Nessas 40 curvas, quatro paradas. A primeira para nos acostumarmos com a altitude. Nela, tivemos um vislumbre de algo que –fora os Andes- tanto esperávamos: neve! Recebidos e sobrevoados por um condor, tiramos algumas fotos, “La mano de Dios”, e prosseguimos a subida.
            Segunda parada, a tentação. Paramos no vilarejo, e de lá avistamos montes de neve derretida em meio às pistas de esqui. Um momento para que cada um fosse procurar... Procurar o que? Seu tema de investigação? Aquela tranqueirinha sensacional da lojinha pra turistas? Neve? Ou, talvez, se achar em meio àquela imensidão!?
            Seja lá o que fosse, foi breve. Terceira parada, e ai sim: neve! Todos correm para agarrá-la, uma e outra bola voam, e logo somos convocados de volta. Saímos então do anfiteatro de turistas. Todos no ônibus com expectativas, e sem paciência...
            Parada semifinal: a cena anterior se repete, no entanto, o quíntuplo de neve surge. Pronto, uma verdadeira guerra. Alguém comenta o fato de ser Dia dos Pais, e então uma nevasca simultânea cai sobre o homem que muitas vezes assumi tal papel. O pai do cotidiano escolar, Roy, sofre o bullying com carinho...
            Fábio diz “Eu quero mais do que só neve!”. Andando com dificuldade no solo de raspadinha fofa, chegamos ao final, um canto dos Andes onde se vê um grande vale.
            O silêncio de se achar (ou descobrir) aquilo que se procura, nos toma.
            Vendo o silêncio, entendi. Um pouquinho mais de mim, e bastante dos outros. Em cada atitude, uma tentativa e uma história, talvez nova, para contar.
            Hora de partir: descemos até um ponto dedicado ao nosso almo-lanchinho (feito no Hostel!). Passado o saudável banquete com direito a frutas, nos cabe descer a tortuosa estrada do enjoo.
            Alguns ensopados, outros cansados, chegamos a Santiago-matriz. Fomos ao museu de história Chilena, e nos deparamos com a seguinte frase de Neruda “Por que crescemos tanto, se no final no separamos”! Vale o pensar. Somos expulsos pelo horário de fechamento, e voltamos para o hostel.
            Rodadas infinitas de pizza –para chorar nossa despedida ao Chile- , e cada um vai para seu canto, faz o que quer no tempo que conseguir, e a vida continua.
            Valeu Chile, valeu gente, CSD e esses coordenadores e professores lindos, que nos proporcionaram –quase sem perder a cabeça- horas de vida e de aprendizado, internacional.



Luisa Helena



domingo, 12 de agosto de 2012

(sem título)






Para esse texto, recomendo que ouçam “Ain’t got no, I got life” da Nina Simone.

E eu pensava que seria só mais um pé molhado. Só mais uma onda pulada. Só mais um pouco de areia desnecessária me roçando a perna. De primeiro, a vista se encanta. Mas só se entende a magia quando se sente e, principalmente, quando se entrega.
A areia grossa machucava os pés que timidamente iam em direção ao mar. Subiu o primeiro arrepio da chicoteada que o mar gelado deu nas pernas da quebra da onda. A inspiração que se seguiu, foi inevitável. O corpo precisava daquilo para se acostumar àquela sensação.
Depois que se experimenta uma vez, quer se sentir mais. Sentir os ossos berrando a sensação de vivencia que se tem pelo gelo das águas. O vento te chama para caminhar. A areia esfoliava os pés marcados de caminhadas existências desnecessárias. O mar gelado purificava o ser.
Ser. Ser que foi levado pelo mar. Ser que se perdeu no infinito do horizonte, onde o mar se misturava ao céu. E então, tudo começou a se fundir. A areia machucando os pés, os ossos berrando, as gaivotas voando junto a ti e o mar engolindo o Sol. Dava para sentir o Sol sendo trazido pelo mar.
E a gente¿ A gente faz parte de tudo isso. Ao invés de abraçarmos o mundo, o colocamos em nossos ombros. A gente é tudo e nada. A gente faz parte, mas quer deixar tudo à parte. Porque nossos problemas cotidianos, que parecem impossíveis de se resolver e necessários de feitos dramáticos para tentar se provar que eles repercutam em sentimentos dentro nós, perdem todo o sentido diante daquilo. Você se sente babaca por se importar com coisas tão pequenas, vazias e fúteis. Você percebe que pode se sentir vivo de outras maneiras. Maneiras que valem a pena, maneiras que fazem algum sentido.
A tênua linha solar, que separava o céu do mar, estava desaparecendo pouco a pouco. O ser ia sendo trazido de volta pelo mar. O ser, então, ganhava a conotação do oceano. O ser se fundira ao Pacífico.

Por Beatriz da Cruz e Nunes de Souza, às 01:12 da manhã, horário Chileno.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Rompendo Esteriótipos e Descobrindo Maravilhas


   Não sei se para todos, mas para mim, hoje era um dia muito esperado. Claro que eu estava e estou ansiosa para conhecer todos os lugares daqui, porém eu estava ansiosa para esse momento, no sentido de conhecer novas pessoas, não apenas chilenas mas também, novas pessoas que tem mais ou menos a mesma idade que eu.  Pessoas que eu talvez tenha mais facilidade de me identificar. Bom, enfim...

   Acordamos, tomamos café, nos arrumamos e partimos. Foi o primeiro dia que andamos de metro e confesso que foi emocionante, apesar de já ter andando no Brasil, não sei, foi diferente, depois pegamos um ônibus e
chegamos no Liceu e, inclusive, fomos muito bem recebidos. Tomamos um café com o pessoal, para podermos nos apresentar e conversar um pouco. Depois, saímos para um pátio (não, acho que era um parque meio pátio, enfim) e fizemos diferentes grupos e trocamos todos os tipos de ideias possíveis e assim, foi muito interessante, muito mesmo. Descobrimos coisas e ensinamos também e o mais legal é que todos nós estávamos tranquilos e de cabeça aberta, vamos dizer, e conseguimos derrubar a "barreira" que havia entre essas duas culturas, esses dois lados, que são muito incríveis, tanto de formas diferentes quanto parecidas. Comemos e fomos ao funicular.

   Lugar mais inacreditável que esse, só a cordilheira mesmo. Impossível existir vista mais bonita do que daquele lugar e juro por tudo, sem palavras de tão lindo, é de cair o queixo. Da até vontade de ficar aqui pra sempre. Foi tudo muito maravilhoso e não me arrependo de nenhum segundo que passei aqui até agora e tenho certeza que não irei.

   Voltamos pro hotel e jantamos direto. No meio do jantar uma galera que conhecemos no Liceu nos visitou aqui no histel. Tudo extremamente inesquecível.
 
Bom, é isso, até agora estou sem palavras pro Chile, tudo é lindo demais aqui, as pessoas são muito receptivas e simpáticas e o clima da cidade é muito diferente, é acolhedor, eu me sinto bem aqui, e agora, a pergunta é:
                                                           como não se apaixonar por um lugar desses?

Alice Munhoz

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Chi, Chi, Chi.

Mal voltaram às aulas, retornamos das viagens que fizemos durante as férias, e já nos preparávamos pra outra. E quem ainda não estava ansioso, ficou.
Na quarta, ouvimos sobre as manifestações do povo chileno contra o sistema de educação - principalmente superior - que vigora no país numa conversa com o jornalista Fábio Nassif, que cobriu a maior mobilização popular do Chile desde a luta pela democratização do país. Cerca de 1 milhão de pessoas foram às ruas reivindicar por uma melhora no sistema de educação chileno. Pra mim, foi um momento muito importante, pois saber mais sobre o que estava acontecendo no cenário político chileno encheu-me de esperanças. Esperanças de que podemos e devemos sim reivindicar e lutar pelo que queremos, e pelo que nos é de direito. Sentia que esse espírito se encontrava perdido ultimamente, e ver a atitude que estava sendo tomada principalmente pelos jovens chilenos me devolveu a esperança de que devemos lutar, sim.
Ao voltar pra casa, mal podia esperar para sair de novo, e começar nossa jornada rumo a Santiago.
E não era como se fosse a primeira vez. Visitei a capital do Chile há menos de 3 meses, mas toda a expectativa de uma viagem desse tipo com a escola, junto dos meus amigos só aumentava.
Chegamos, e logo na nossa primeira parada em Santiago, no centro da cidade, sentia como se nunca tivesse estado ali. Ouvir o que tudo ali representava, as histórias acerca de seus prédios, palácios, monumentos, estátuas, ditadura, opressões, lutas populares... Fez com que eu me sentisse uma total estranha àquele ambiente. Após o primeiro dia, sinto ainda maiores expectativas sobre o que veremos, tanto o que é novo para mim, quanto para todos nós.
Além disso, o clima aqui, as caminhadas pela cidade com mais de 50 pessoas, a sala barulhenta, tudo faz com que me sinta "desviajada", como se tudo fosse uma nova experiência. E é.
Amanhã, vamos ao Liceu e vamos efetivamente interagir com os jovens do Chile. Depois, à museus para investigar a história e a sociedade chilena.

Mal posso esperar...

Carol Brandão